23 de agosto de 2010
Tem esse telefonema que eu preciso dar e não consigo. Talvez porque eu ache que ainda não ensaiei o bastante, talvez porque ultimamente eu não tenha exercitado muito o uso da minha própria voz. Faz uma semana que eu não saio de casa e tem essas compras de supermercado que eu preciso fazer e não consigo. Dia desses, eu me vi no meio de um assalto num banco não muito longe daqui. O bandido se aproximou e colocou o cano da arma dentro do meu ouvido. Eu fechei os olhos e fiquei implorando a ele: “me dá uma chance, me dá uma chance”. Repetia sem parar essa mesma sentença enquanto, dentro da minha cabeça, meus miolos já se sentiam implodidos melecando todo o chão. No fundo, no fundo, eu não estava pedindo uma chance ao bandido, mas sim a Deus. Eu queria sobreviver a tudo aquilo para, dali pra frente, aproveitar melhor a minha vida, os meus dias. Eu estava pedindo a Deus para viver um pouco mais. O problema é que eu sabia que ele simplesmente não existia e por isso jamais teria como me conceder essa dádiva: o prolongamento do tempo da existência. E eu continuava ali, naquela cena pausada, sentindo o roçar da arma percorrendo meu rosto até que não senti mais nada. Quando tomei coragem e abri os olhos, eu estava no meu quarto. Nada daquilo parecia ter acontecido de fato. Ou talvez tivesse sido tudo real até a parte em que Deus resolveu me ouvir e disse: “corta”! Ele, todo poderoso, com seu controle remoto em mãos, rebobinou a fita da minha vida e decidiu atender meu pedido. A tal da chance me fora dada. Ele deve ter clicado em algum botão do tipo “transformar realidade em pesadelo”. Eu sou mesmo uma atéia de merda! Falo com Deus toda hora e digo pra todo mundo que ele não existe. Depois fico achando que ele tem um controle remoto universal que altera o destino da vida da gente. Chega! Estou cansada de divagar e já não tem nada pra comer aqui nessa casa. Eu vou tomar um banho, fumar um cigarro e botar a cara na rua. São apenas duas quadras até o supermercado. Com o mp3 player no ouvido, a chance de alguém falar comigo é mínima. Se eu voltar viva, com as sacolas na mão, posso reabastecer a geladeira de silêncios por mais uma semana. E, só me restará uma coisa a fazer: a porra do telefonema que eu preciso dar. Discar o número é fácil, dizer alô também…o problema todo é articular as palavras em frases que façam qualquer sentido para quem está do outro lado da linha.
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Maíra Viana
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Crave a sua mensagem no tronco da árvore: 12
23 de junho de 2010
Eu devo ter o miolo mole. Não é possível! Fico reparando nos humanos, daqui do alto da minha janela: correndo atrás do próprio rabo, latindo sem saber pra quem, nascendo e morrendo em discursos que não vão além de cento e quarenta caracteres. Freqüentemente acho que ‘saquei o lance’ até que tudo se vai…por água palafita abaixo ou fogo morro adentro, a depender da região do país em que se está. Definitivamente, não sou capaz de processar o funcionamento das pessoas. O técnico da seleção esculhamba com a imprensa brasileira em rede internacional, os jornalistas revidam. Debate-se o secular privilégio da emissora NX Zero em detrimento das outras mídias e crucifica-se o porta-voz do discurso oficial. O povo brasileiro quer calar a boca de…não se sabe quem! Não seria muito mais fácil apertar o “off” do controle remoto? Ou, quem sabe, sacudir o objeto dentro do aquário, da pia, da máquina de lavar da vovozinha? Mas aí complica, né? O que vão digitar nos tais 140 caracteres sem a TV ligada soprando aos ouvidos a cola da prova? O ranking virtual de tópicos mais falados no país vai agonizar “cri-cri-cris” em máxima potência torturando os ouvidos mais que o “fóoom-fóoom” das famigeradas vuvuzelas. Entre dunguianos, lulistas, máfias douradas, twiteiros e serristas só há uma coisa em comum: todos são “queridos telespectadores”. Uma vez me falaram que a internet ia acabar com a televisão e, no entanto, o que vejo, por entre os arbustos, é o cyber espaço se dobrando a ela: soberana telinha. Eu juro que tento entender o comportamento humano, mas não consigo. E devo mesmo ter o tal do miolo…mole.
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Maíra Viana
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Crave a sua mensagem no tronco da árvore: 13
4 de outubro de 2009
Viver à sombra de uma frondosa arvore foi a maneira que encontrei de me manter à salvo da luz do dia. Minha casa é minha zona de conforto, é o lugar onde posso ser quem sou e brincar de ser quem não sou, de vez em quando, sorrindo pro espelho. E ninguém precisa saber o que faço quando estou apenas comigo, quando danço de calcinha pelo corredor ou quando deito com o rosto colado no chão do banheiro. Escolhi viver à sombra por não poder prever o que a minha própria luz poderia atrair para mim. A gente vai envelhecendo junto com os galhos das árvores que nos sustentam e ficamos cada vez mais sós. Temos medo de estender a mão, de levantar, de seguir em frente. E só nos resta viver à sombra dos nossos sonhos, de nossos mundos imaginários, de nossas zonas de conforto. E acordamos, todos os dias, entediados com a perspectiva de mais vinte e quatro horas previsíveis cheias de contas a pagar, horários a cumprir e faixas de pedestre para atravessar. E andamos pelas ruas, acompanhados de nossas próprias sombras, sem sequer olhar pros lados, como robôs de algum filme futurista e não ousamos sair do script que nós mesmos escolhemos encenar. Porém, tudo o que desejamos é que alguém, em algum momento, esbarre em nós, derrube as certezas que carregamos e nos ajude a recolher o que ficou caído no chão. Sonhamos que alguém, algum dia, irá realmente reparar em quem somos para além de nossas zonas de conforto, que unicamente se importará conosco, por saber que para além das sombras que exibimos, existem as luzes que insistimos em esconder.
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Maíra Viana
*Texto registrado e protegido pela Biblioteca Nacional
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Crave a sua mensagem no tronco da árvore: 18
10 de setembro de 2009
Permaneço de pé aqui dentro. Caminho pela casa como um bicho estranho acuado entre quatro paredes de uma prisão que eu mesma criei. E dói muito não ser orgulho para ninguém , dói muito chegar à velhice sem ter a lembrança de um dia ter sido jovem, dói olhar os amigos bem-sucedidos, dói não ler os jornais todos os dias, dói não ser boa em nada, dói viver à sombra de um talento fingido, dói ser a farsa do dia-a-dia, dói ser quem sou, dói ver os livros nunca dantes folheados na estante da sala, dói a sensação de praticamente não existir, de estar morta em vida, de apenas vegetar num corpo alheio aos desejos que finjo sentir. A máscara pesa no rosto, o espelho reflete a feiúra óbvia e o relógio planta cabelos brancos num retrato fiel da minha paisagem. É penoso saber que não posso confiar em nada que vá além de mim mesma, é penoso saber que só posso acreditar no que posso tocar e que, talvez, até isso não seja real. O mundo que agora dorme lá fora pode ser apenas uma armadilha, uma realidade paralela ou o sonho de alguém em Marte. É penoso e dói ser quem sou, me perguntar o que me pergunto, chegar às conclusões que chego. E é por isso que, enquanto dorme o mundo lá fora, eu permaneço de pé aqui dentro.
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Maíra Viana
*Texto registrado e protegido pela Biblioteca Nacional.
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Crave a sua mensagem no tronco da árvore: 14
23 de agosto de 2009
O vento de fora agora cismou de soprar aqui dentro. Revira as coisas atrás da estante. Escancara portas e janelas. E me empurra. Pra fora. Pra longe daqui, pra perto daí. Seguro firme. Cravo as unhas nas árvores mais frondosas. Sangro até fincar. Lá fora não é ambiente pra mim. Mas ele insiste, o brincalhão. Sopra como se me fizesse um favor. Entorna canções, lembranças e lugares de ontem. Cacarecos que ensaio me desfazer faz tempo. E nunca me desfaço. Nunca me satisfaço. E disfarço…enquanto o vento me empurra pra fora do mundo ou sei lá pra onde. Nada fica firme por muito tempo. Finco até sangrar. Ficar é uma escolha que eu fiz faz tempo. Nada mais me cabe a não ser a minha casa. Casinha. Pequena. Caixinha em que me encolho. Me encaixo. Me recolho e me acho. Não entendo esse sopro todo, essa ventania que me invade. O grande amor ja passou por aqui, já parou, já ficou…e já foi. Não segurei firme, nem finquei unhas, apenas sangrei. E deixei ir. O vento levou sei lá pra onde. O que mais quer levar embora de mim agora, seu vento vilão? Pra quê tanto bagunçar? Deixe o silêncio e a paz em cima da mesa. E as coisas atrás da estante, se quiser, pode levar. Só me deixe a sós comigo, por mais algum tempo. Afinal, ainda me resto. Perto daqui e bem longe daí. E quando cismar de soprar aqui dentro de novo, pense duas vezes. E vá soprar em outro terreiro, faz favor.
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Maíra Viana
*Texto registrado e protegido pela Biblioteca Nacional.
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Crave a sua mensagem no tronco da árvore: 12
8 de agosto de 2009
O vento me empurra pra fora do mundo com tanta força que chega a bater as janelas de casa. Mas pareço ficar. Mesmo sabendo que minha existência não fará a menor diferença. À tudo respondo que tanto faz. Escolhas são nocivas. Escolhas sempre chegam acompanhadas de expectativas. E para cada expectativa, uma decepção à altura. As pessoas criam seus infernos particulares à medida dos anos. Alimentam seus bichos interiores, preenchem seus sacos de lixo…até não poder mais. E depois não conseguem se achar em seus próprios espelhos. Parecem figuras alteradas por uma lente de aumento, distorcidas na forma e na cor. Amanhecem transmutadas em monstros de quatro olhos. E não sabem porquê. Nem querem saber. Estão sempre atrasadas. Correndo de lá pra cá. O relógio lhes mantém ocupadas grande parte do dia. A pressa é uma engenhosa invenção da humanidade. As pessoas contam as horas para se distrair do que lhes é irremediável. E me pergunto com freqüência: a quem interessa? a quem o que eu penso interessa? a quem a minha vida interessa? À tudo respondo que tanto faz. Me nego a fazer mais escolhas. Eu sempre erro. E não sei porquê. Nem quero saber. A pressa me acompanha grande parte do dia, o problema é que, à noite, ela adormece e eu não. O vento me empurra pra fora do mundo com tanta força que chega a bater as janelas de casa. Mas, ainda assim, teimo em ficar.
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Maíra Viana
*Texto registrado e protegido pela Biblioteca Nacional.
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Crave a sua mensagem no tronco da árvore: 10
23 de julho de 2009
“…Não procure outras pessoas no espelho…”
Todo dia eu faço uma aposta. As pessoas nadam em suas próprias mentiras. Passam por cima do sol para angariar o que lhes é aprazível. E seguem insones. As cabeças cansadas já não cabem mais nos travesseiros de costume. As palpebras pesam à medida dos anos. As pessoas seguem pisando em seus chãos, em seus céus, em seus sóis e em si mesmas. E se martirizam a cada segredo guardado na estante sustentada em madeira e remorso. As pessoas passam a vida tentando ficar impunes enquanto eu almejo apenas ficar imune a todas elas. E quando já não há mais espaço entre madeira e remorso, as pessoas tentam outros travesseiros que abracem generosamente suas cabeças cheias de culpa. E se aproximam umas das outras em busca de perdão, em busca de algo que as leve à redenção. E seguem cegas e insones. À procura de seus travesseiros imaginários. E adoecem envenenadas por seus próprios segredos. Todo dia eu faço uma aposta. Enquanto as pessoas morrem afogadas na piscina de mentiras que cultivam em seus quintais. As cabeças são grandes demais para as fôrmas dos travesseiros vendidos nas lojas. E pesam. Pesam a medida dos anos. E quando estendo a mão a alguém é quase sempre um lapso. Cada aceno em direção ao outro é risco de queda livre. E sempre aceno. E sempre despenco. Mas meu consolo é minha estante. Sustentada em madeira e fé. E meu travesseiro tem a medida de minha cabeça: leve. E ainda assim, todo dia eu faço uma aposta. E todo dia eu perco.
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*Autoria: Maíra Viana
*Citação em Aspas: Humberto Gessinger
*Texto registrado e protegido pela Biblioteca Nacional.
Crave a sua mensagem no tronco da árvore: 8
4 de julho de 2009
“…Parecia que era minha aquela solidão…”
Chegava em casa e dava de cara com a solidão. Esparramada no sofá, impondo-lhe canais de tv, ocupando os espaços da sala, incomodando o quanto podia. Aquele convívio estava ficando impossível. Alguém ia ter que sair. A casa já era muito pequena. Era muita audácia tomar para si a cozinha, o quarto e o banheiro. Bagunceira, barulhenta, folgada era a solidão. E comilona também. Tomava os iogurtes todos de uma vez. Mal-educada ainda arrotava. A solidão era mais que uma hóspede, era sua sombra em excelência. Do alto da jaboticabeira vivia a escritora, a questionar lá com seus botões, que diabo de escolha havia feito. Bastava pensar em sair de casa, pronto, tudo nela se derramava em motivos para não fazê-lo. Não ia ao teatro porque o dia se fazia quente, não visitava parentes para não lhes dar trabalho, não frequentava festas ja que, claro, não saberia o que vestir. Seu pensamento nem atravessava as portas que dão pra rua, que dirá seus pés. Resignada, tentava apenas se acomodar no pouco espaço que ainda lhe restava. Sua solidão era a pior colega de quarto que já tivera.
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*Autoria: Maíra Viana
*Citação em Aspas: Humberto Gessinger
*Texto registrado e protegido pela Biblioteca Nacional.
Crave a sua mensagem no tronco da árvore: 11
22 de junho de 2009
“…Se o mundo espera então eu faço…”
Escolhera viver só. Achava que estaria melhor consigo mesma do que com alguém que estivesse ali somente para passar o tempo. Acreditava na ciência, na lógica. Buscava um sentido. Pois tudo o que acontecia tinha de ter um porquê, mesmo que para ela fosse dificil compreender qual. Era cética. E mais: pagã, atéia e só. Era forte. Era fraca. Dependia. Do dia, dos porquês que encontrava pelo caminho, das contas que tinha a pagar e, principalmente, do ciclo menstrual que insistia em desregular o seu senso-de-humor. Vez ou outra, abria as janelas de casa e tinha uma dimensão maior de sua história. Via seu espaço e a mata ao redor: aquele silêncio fazendo cama para solidão; a certeza da segurança que vai além de chaves e fechaduras; a desesperança de qualquer visita ou mágoa sem aviso prévio. Assim era a menina: excessivamente só. Insistia na solidão, afinal, era muito mais tranquila a sobrevivência longe do convívio com as pessoas do mundo. Evitava a intimidade. Encontrava em curtas saudações uma maneira fácil e prática de lidar com as situações cotidianas. Por isso, esforçava-se ao esboçar expressões como: “Boa Tarde”, “Como Vai?” e “Até logo”. E era só. Nos momentos de crise, sentia-se melhor ao constatar que poderia, a qualquer momento, optar pelo abandono de si mesma. Fazia-se livre para se reinventar como melhor lhe conviesse. Sentia-se sorteada por ter direito às escolhas da vida e, dentre tantas, talvez a mais acertada tenha sido essa. Escolhera viver só. Achava mesmo que estaria melhor consigo própria do que com alguem que estivesse ali somente para ocupar um lugar no espaço.
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*Autoria: Maíra Viana
*Citação em Aspas: Nô Stopa
*Texto registrado e protegido pela Biblioteca Nacional.
Crave a sua mensagem no tronco da árvore: 10
8 de junho de 2009
“…Quem sustenta o peso do mundo? Quem gira a roda da vida?…”
Do alto da jaboticabeira, percebia o dia passar por sua janela acenando, de passagem, quase sempre alheio à transitoriedade da vida dentro daquela casa. E ele sempre passava, o dia. E vez por outra acenava. Mas nunca encontrava tempo para um café que fosse. Por mais que ela almejasse um “cadinho” de dia, ele nunca podia parar. Lembrava da época da escola, do recreio, quando as outras meninas giravam uma imensa corda com destreza, forçando quem quisesse brincar, a entrar já pulando, sem pestanejar. Ficava sempre de canto a espiar. Queria mas não podia. Pensava, pensava…e deixava pra lá. Assim era também com o dia, que sempre passava. Acenava mas não entrava. Fazia menção para que ela saísse e se juntasse a ele em sua peregrinação. Andariam em comitiva mundo afora: ele, ela e mais um punhado de horas pedalando sem parar. Recusava o convite e permanecia de canto, sempre a espiar. Queria, mas não podia. Precisava ao menos ter tempo para pestanejar. O risco de esbarrar na imensa corda da vida era grande. Que faria ela se caísse e ralasse o joelho? O dia não voltaria para acudi-la. As horas ririam de seu embaraço. E a corda da vida não hesitaria em lhe oferecer, a cada giro, um novo enroscar de pernas. Do alto da jaboticabeira, pensava. Pensava…e deixava pra lá.
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*Autora: Maíra Viana
*Citação em Aspas: Sagrado Coração da Terra
*Texto registrado e protegido pela Biblioteca Nacional.
Crave a sua mensagem no tronco da árvore: 9