Eu, você e todos nós!

Quantas pessoas você conhece que topariam subir no alto de uma árvore contigo? Quantas delas iriam além e aceitariam o convite para se pendurar num dos galhos balançando o corpo para lá e para cá ao lado do seu? Quais delas lhe acompanhariam nessa aventura, alternando silêncios e gargalhadas, sem a precisão de uma única troca de palavra? Quando é que um momento a dois dispensa o diálogo sem causar desconforto pela não verbalização? Se você matasse alguém, para quem telefonaria a fim de lhe ajudar a esconder o cadáver? Quem, de fato, está conosco? Está? Ou é? Permanente ou temporário? O que faz com que algumas pessoas sejam nossas e todo o resto do mundo não? Quem habita o mesmo planeta que você e quem não? Que cordão invisível é esse que nos laça uns aos outros pelo traço invisível do afeto? Onde fica o nosso país secreto? É um lugar ou é um estado? Por onde passam as ondas do rádio? As minhas pessoas estão por aí, espalhadas, cada uma num canto, mas ao mesmo tempo, sinto, estão aqui comigo no tempo do sempre, no espaço do espírito, no jeito do terno, na hora do já, por dentro e pra fora, em torno de. Até quando eu duvido e o pensamento passeia pelo talvez…me pega pelo braço, aos sobressaltos, um SIM! Um sim não dito! O sim que se faz com a cabeça, em sinal de consentimento, sem a tal precisão da palavra. Apenas o aceno que curva o queixo até o pescoço: SIM! Um sim que rebrilha os olhos! Um sim que diz: “Vambora”! Um sim dado entre as gargalhadas e o silêncio, no balanço do para cá e para lá, nos braços da árvore à qual já me referi antes, aquela que acolhe a cumplicidade dos que se afinam, em mansa e atemporal travessura, sendo seu tronco a querência onde, de verdade, estamos todos nós!