Muito prazer, Taciturna!

Sorumbática felina. Macambúzia do olho manco. Iris estropiada. Acidente? Vai saber! Centenária carrranca peluda, ainda é dada a peralvilhices, como pode? Borralheira, circunspecta, belfuda. Não fomos apresentadas. Circulávamos por acolá. Eram muitos os ambientes da Casa.  Eles, músicos, tagarelices a mancheias. Felina à espreita: guaranga, tartarugosa. A cada passo meu, os quatro dela a me acompanhar. Eu buscando um tico de sinal para acessar a Interlândia. Ela, ploft, em meu All Star. Missivas eletrônicas deveras urgentes para encaminhar. Sai pra lá, bichana forróia. Músicos ali, orquestrando arrulhos para patuscas do dia seguinte. Eu, caminhante, cômodos da Casa afáveis, porém, desapropriados de qualquer acesso à conexão. Cyber-missivas  imprescindíveis à espera, adormecidas no desktop. Nb aponta, subo as escadas, encontro sinal. Plugo, recebo, envio, anexo, twitto. Eis que ela surge, pirata-badalhoca, retina-de-vidro, cambaleante. Cismou comigo. As piores figuras sempre exalam faguices à minha pessoa. Se apegam. Dou bola. Apresento-me diante de seu miado estridente. Algaravia. Diálogo pra lá de azucrinado. Como chamá-la? Ninguém me conta. Sou dada a invencionices. Nomeio-lhe. Taci. “Taci, pchim, pchim, pchim, vem cá, bichinha”. E Taci nada de me atender. “Pchim”? Será que é isso mesmo? Não está funcionando. Deixo pra lá! Intervalo no andar de baixo, desço pelo corrimão e lá estão eles. Músicos régulos, ansiosos por sanduíches, frutas, sucos: atendo. Ficam contentes-acordes. Em breve voltarão aos arranjos, às notas de rodapé de seus instrumentos. Taci me segue, ploft de novo, meu All Star branco! Taci, Taci, dá um tempo, estou trabalhando. Ela dá a pata, gesto que acata a troca: seu nome de batismo pelo apelido que lhe emprestei. Parece que fiz uma amiga. A gata de Nb agora é minha também. Bordalenga, achamboada, balabrega, capionga mas, Minha…é ela, aquela que naquela hora me estendeu a pata e se renominou: Taci, de Taciturna; melíflua-de-botas. Estás agora, aos emboléus, não só dentro da Casa, mas também fora dela…delirium tremens…incólume, em todos os meus contos-de-fadas.


Maíra Viana