Miolo Mole!

Eu devo ter o miolo mole. Não é possível! Fico reparando nos humanos, daqui do alto da minha janela: correndo atrás do próprio rabo, latindo sem saber pra quem, nascendo e morrendo em discursos que não vão além de cento e quarenta caracteres. Freqüentemente acho que ‘saquei o lance’ até que tudo se vai…por água palafita abaixo ou fogo morro adentro, a depender da região do país em que se está. Definitivamente, não sou capaz de processar o funcionamento das pessoas. O técnico da seleção esculhamba com a imprensa brasileira em rede internacional, os jornalistas revidam. Debate-se o secular privilégio da emissora NX Zero em detrimento das outras mídias e crucifica-se o porta-voz do discurso oficial. O povo brasileiro quer calar a boca de…não se sabe quem! Não seria muito mais fácil apertar o “off” do controle remoto? Ou, quem sabe, sacudir o objeto dentro do aquário, da pia, da máquina de lavar da vovozinha? Mas aí complica, né? O que vão digitar nos tais 140 caracteres sem a TV ligada soprando aos ouvidos a cola da prova? O ranking virtual de tópicos mais falados no país vai agonizar “cri-cri-cris” em máxima potência torturando os ouvidos mais que o “fóoom-fóoom” das famigeradas vuvuzelas. Entre dunguianos, lulistas, máfias douradas, twiteiros e serristas só há uma coisa em comum: todos são “queridos telespectadores”. Uma vez me falaram que a internet ia acabar com a televisão e, no entanto, o que vejo, por entre os arbustos, é o cyber espaço se dobrando a ela: soberana telinha. Eu juro que tento entender o comportamento humano, mas não consigo. E devo mesmo ter o tal do miolo…mole.

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Maíra Viana

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