S.O.S – Alguém me ajuda?

27 de julho de 2014

Estou aqui na caverna concentrada na produção do terceiro livro da série “O Teatro Mágico em Palavras”. A primeira etapa é a escolha das músicas que vão ser trabalhadas como fonte de inspiração para as novas crônicas. Estão valendo todas as canções presentes nos álbuns “A Sociedade do Espetáculo” e “Grão do Corpo”. Essa seleção é bem difícil porque cada melodia e cada letra me tocam o coração de alguma maneira. No entanto, estamos falando de um conjunto de 30 músicas! No livro, entrarão apenas 18! Oh, céus!

Bom, depois de muito franzir a testa e coçar a cabeça, pensei: tem uma galera que pode me ajudar!

Se você está aí me lendo, é provável que seja uma dessas pessoas com quem eu posso contar nesse momento tão delicado… E delicioso, afinal, trata-se da gestação de um novo livro! Sendo assim, se você quiser participar dessa seleção junto comigo, me escreva contando que canção – pertencente aos álbuns “Grão do Corpo” ou “A Sociedade do Espetáculo” – você acha que deve entrar no livro “O Teatro Mágico em Palavras III” e por qual motivo. Você pode contar uma história de vida que envolveu a música em questão, pode comentar o que pensa e sente ao ouvi-la e daí por diante.

O e-mail oficial para responder a essa enquete é: maira@agenciadolivro.com.br.

Para quem não sabe, a série de livros “O Teatro Mágico em Palavras” nasceu de um encontro. Em abril de 2014, eu estava vivendo na cidade de São Paulo há 8 meses apenas e tudo era novidade aos olhos da pernambucana que saiu de Recife em busca de seus sonhos. Eu morava sozinha, num quartinho alugado na casa de uma senhora e mantinha um blog na internet onde publicava algumas crônicas e reflexões sobre a vida. O Fernando, por sua vez, depois de muitos perrengues e voltas da vida havia conseguido gravar um cd que há muito não saía de sua cabeça: “O Teatro Mágico: Entrada para Raros”. Ele estava às voltas com a organização de algumas apresentações de lançamento e teve a ideia de entrar no google para saber se já existia alguma coisa no Brasil intitulada pela expressão “O Teatro Mágico”. Esse termo fora tirado da obra literária “O Lobo da Estepe”, do escritor alemão Hermann Hesse.

Era o livro preferido do Fernando! E era também meu livro de cabeceira. Por isso, certa vez, publiquei em meu blog uma crônica onde eu dizia que gostaria de receber um convite raro para adentrar num “Teatro Mágico”, espaço onírico da obra do Hesse. E esse texto aparecia no google como um dos links indicando o uso da expressão em questão. Foi quando o Fernando deu de cara com meu blog e, depois de ler um pouco de tudo, deixou-me um recado simpático falando de seu “Teatro Mágico”. E tudo começou! Depois de alguns atropelos, consegui ir a uma apresentação dele em Santa Cecília e, ao final do show… Eu fui embora sem falar com ele! Risos! Tudo me encantou tanto que… Me faltaram palavras!

No entanto, mandei um e-mail com minhas impressões interiores de seu trabalho e recebi como resposta uma intimação: “A gente precisa se conhecer”. Bom, lá fui eu de novo, 15 dias depois, para Santa Cecília. Dessa vez, fiquei para os cumprimentos pós-apresentação e finalmente nos re-conhecemos. Costumamos dizer que: “Nesse dia, nós nos adotamos”.

E papo vai, papo vem, ele me lançou outro convite. Colocou em minhas mãos o CD “Entrada para Raros” e pediu que eu escrevesse uma crônica para cada canção! Segundo ele, minhas palavras tinham muito a ver com sua poesia e nós poderíamos aproveitar o site do TM para abrigar uma nova sessão intitulada “O Teatro Mágico em Palavras, por Maíra Viana”. E chegando em casa, pela primeira vez, escrevi com um propósito – sentindo a escrita não apenas como um instante de divertimento e hobby, mas como algo maior, embora racionalmente eu jamais pudesse imaginar que a partir dali a minha vida se transformaria.

Sete dias depois, o Fernando recebia em seu e-mail 19 textos inspirados nas 19 faixas de seu primeiro disco. As crônicas realmente entraram no site, o que me deixou muito feliz. Mas, isso foi em 2004. Muita água rolou por debaixo da ponte e só em 2007, com o TM já consolidado, o primeiro livro da série – e da minha carreira como escritora – surgiu. Tive um grande apoio do Gustavo Anitelli, que a essa altura estava à frente do projeto no escritório enquanto eu era a produtora de shows na estrada com a banda. O Fernando também me incentivou a realizar esse sonho e, com o apoio vital do Seu Odácio e sua fabulosa “Lojinha TM”, o livro se tornou um sucesso de vendas.

Em 2010, escrevi e lancei o segundo volume da série, dialogando com as canções do segundo disco “O Segundo Ato” e agora, em 2014, devo produzir o terceiro, com a ajuda e palpite de todos que curtem a banda! Paralelo a isso, escrevi outros livros lançados por editoras e hoje sou, além de produtora cultural, uma escritora em ebulição, sempre pensando vinte livros ao mesmo tempo! Rs! Sou uma autora inquieta e intranquila, assim como tudo que escrevo! E tenho no Fernando, meu maninho, a inteligência sensível da criação em parceria, a melodia que dá sentido às minhas palavras e uma irmandade que vai além! Somos do mesmo planeta! Ufa!

Eu, você e todos nós!

30 de maio de 2013

Quantas pessoas você conhece que topariam subir no alto de uma árvore contigo? Quantas delas iriam além e aceitariam o convite para se pendurar num dos galhos balançando o corpo para lá e para cá ao lado do seu? Quais delas lhe acompanhariam nessa aventura, alternando silêncios e gargalhadas, sem a precisão de uma única troca de palavra? Quando é que um momento a dois dispensa o diálogo sem causar desconforto pela não verbalização? Se você matasse alguém, para quem telefonaria a fim de lhe ajudar a esconder o cadáver? Quem, de fato, está conosco? Está? Ou é? Permanente ou temporário? O que faz com que algumas pessoas sejam nossas e todo o resto do mundo não? Quem habita o mesmo planeta que você e quem não? Que cordão invisível é esse que nos laça uns aos outros pelo traço invisível do afeto? Onde fica o nosso país secreto? É um lugar ou é um estado? Por onde passam as ondas do rádio? As minhas pessoas estão por aí, espalhadas, cada uma num canto, mas ao mesmo tempo, sinto, estão aqui comigo no tempo do sempre, no espaço do espírito, no jeito do terno, na hora do já, por dentro e pra fora, em torno de. Até quando eu duvido e o pensamento passeia pelo talvez…me pega pelo braço, aos sobressaltos, um SIM! Um sim não dito! O sim que se faz com a cabeça, em sinal de consentimento, sem a tal precisão da palavra. Apenas o aceno que curva o queixo até o pescoço: SIM! Um sim que rebrilha os olhos! Um sim que diz: “Vambora”! Um sim dado entre as gargalhadas e o silêncio, no balanço do para cá e para lá, nos braços da árvore à qual já me referi antes, aquela que acolhe a cumplicidade dos que se afinam, em mansa e atemporal travessura, sendo seu tronco a querência onde, de verdade, estamos todos nós!

O Homem do Gás

9 de maio de 2013

Acordo em carne viva. O amor disse que viria e não chegou. Espero em frente ao portão. Esperança dá um tapinha nas costas, senta ao lado, faz que vai puxar um assunto, desiste. Muda, vê que eu nâo tô pra papo, silencia. Lá dentro, carne de segunda, respira sob o vinagre balsâmico em cima do balcão da cozinha. Alcatra. A carne sangra, sempre há a carne. Hoje vem o homem do gás. Prometeu. Esperança diz que dessa vez teremos visita. Sem gás, não há carne balsâmica no forno. Sem gás, morre a sombria ligeireza da gente. Fenece o combustível da vontade. Sento no batente, joelhinhos dobrados, mãos entre as pernas, rezo. O homem do gás deve cruzar a esquina a qualquer instante. Seu par de olhos verá o portão, a Esperança boba e eu, todos á sua espera. Em cima da mesa, a carne do dia, ainda crua. Fogão ansioso, abanando o rabinho, doido para assar qualquer coisa, querendo muito respingos balsâmicos por entre as bocas. Bocas, estas sussurram: chamaaaa!!! Ouço a súplica vindo de dentro da casa. Penso: E essa porra desse homem que não cruza logo essa droga de esquina trazendo nossa solução a gás?

Assombrações da Mulher de 30!

23 de agosto de 2012

Tenho pensado muito (e quando é que não?) num futuro próximo: a minha velhice. A minha velhice e a de todos nós. Fantasmas de senhorinhas me rondam e me impulsionam a correr para o lado oposto. Dia desses me acompanhava uma velhinha simpática, porém, triste. Seu rosto era o meu. Me levou para conhecer sua casa (minha?): um kitnet vazio e mofado, longínquo, lá pras bandas do Vale das Etiquetas Encardidas. O apartamento mais parecia um museu cheio de objetos de marcas de grife que outrora tiveram valor e que agora, nesse outro tempo (estamos aqui num futuro!?) não valem mais nada. A pobre velhinha mostrou-me seus boletos de aluguéis atrasados e, entre chorumelas, me fez passar a vista na carta de ação de despejos colada em seu “mural de recados”. Foi o suficiente. Desde então, lembro da fantasminha idosa e cuido com mais afinco das minhas finanças, de uma reserva estratégica que nunca fiz, do plano de aposentadoria com o qual jamais havia me preocupado, etc,etc. Esta semana, quem me assombra é o fantasma da velhinha baranga. Esta tem uns oitenta e cinco quilos, anda com a coluna envergada, olhos cabisbaixos, sofre de artrose, osteoporose e varizes múltiplas nas pernas. A senhorinha fantasma (que está mais para a “Bruxa do 71”) se parecia tanto comigo que achei que estava me olhando no espelho (só que trinta anos depois!). Corri em direção à rua e, na primeira placa onde estava escrito “Academia”, adentrei e me matriculei. Agora, só como rúcula e macarrão “O Casarão” sem glúten! “Assombrações da Mulher de 30” – diagnosticou minha terapeuta. Engraçado, às vezes, a gente paga para ouvir o que já sabemos. Sei não, mas acho que no próximo mês virá uma outra fantasminha camarada me fazer terrorismo futurístico. Estou falando da Velha dos Gatos: aquela personagem do conto popular que, mergulhada em sua solidão, dividia as espinhas das latas de sardinha com uma série de felinos pretos. Não tinha sequer um “parzinho” para compartilhar o balde de pipocas diante da TV. Não sei como escapar desse destino trágico, porém, já se vão trinta e cinco anos de um solipsismo convicto e entediado. Numa das versões da história da Velha dos Gatos, dizem que em sua lápide estava escrito: “Hoje, morre um mundo!”. Gosto disso! Mas não muda nada. Nada muda nada! É, a vida é um sonho breve! Envelhecer é contabilizar a quantidade de comprimidos que vão entrando no seu dia a dia com o passar do tempo. E, de repente, numa noite, ao apagar com dificuldade as luzes do quarto, percebemos que deixamos de ser assombrados para então, finamente, nos tornarmos assombrações da jovem vida de outrem.


Maíra Viana

A Brevidade Cento-e-Quarenta-Caracteriana!

25 de julho de 2012

Ando lendo muito. Cada vez se torna mais complexo usar o tom coloquial. Sonho em versos, em rimas, em estruturas narrativas. Anoto recados telefônicos em linhas de subjetividade que confundem as pessoas e me é doloroso evitar tal delito. Minha faxineira se queixa dos post-its que deixo pregados na porta da geladeira. Fica difícil cuidar da casa de acordo com o que rabisco. É, os livros estão a me fazer mal! Estão me consumindo e pareço agora uma grande enciclopédia ambulante a falar como se as pessoas estivessem  me lendo mas elas estão apenas me ouvindo e esperam que eu seja breve. Apenas os cães nos parques tem tempo e paciência para ouvir qualquer som que eu possa emitir de dentro de mim. A cidade não me observa, apenas me permite caminhar por suas calçadas. Alamedas tão anônimas quanto eu e esse meu estranho linguajar que parece arrancado das páginas de um Faulkner sobre o qual venho me debruçando. Então, sem consolação, eu sento nos bancos do Trianon. Arvores sombrias se curvam bisbilhotando meus sussurros. Eu farfalho o idioma das folhas secas e, minutos depois, me encontro latindo num papo pra lá de shakespeariano com os vira-latas do parque, pois eles sim têm tempo pra mim e parecem entender minha prolixidade, pois respostam em sonoros uivos que amansam a angustia da brevidade cento-e-quarenta-caracteriana que a sociedade me exige.


Maíra Viana

A vida é uma enorme sala de espera!!

20 de junho de 2012

Viver é esperar. Esperar sem a menor previsão de quando, onde, como e porquê. Esperar cansa! Não que eu esteja com pressa, não é isso! Imagina! O problema é que tenho uma série de coisas a fazer e nunca sei se terei tempo ou se serei pega de surpresa deixando tudo inacabado. Diante da dúvida, penso se não seria melhor pegar minha senha, sentar e aguardar, como muita gente faz. Sartre disse uma vez que o inferno são os outros mas eu me atrevo a discordar dele. O inferno é essa maldita espera indeterminada. Se temos que morrer, que seja feito logo. Se a sina é viver, que nos façam imortais, ora essa! Só não nos deixem aqui nessa expectativa inglória. A vida é uma enorme sala de espera e cada um tenta se distrair como pode. Ei, você, por favor, me passa essa revista?


Maíra Viana

Espacinho de Solidão!

15 de maio de 2012

Gosto do tempo frio. Dos dias chuvosos. Especialmente pela possibilidade do espacinho de solidão que os guarda-chuvas nos permitem. E, dentro deles, protegidinha, consigo perceber os excessos e os escassos. As Faltas. Falta dinheiro no bolso. Falta o outro pra andar de mãos dadas. Falta tudo o que falta numa grande cidade. Ausência de pertencimento. E ainda assim, felicidade acontecendo, quietinha, do lado de dentro do guarda-chuva…mesmo sendo ele um artefato safado, comprado numa banca de revista a dez centavos, só para aquele momento de rua, com seu forro em tecido barato, prestes a se desintegrar.


Maíra Viana

Ilha que se desloca!

5 de abril de 2012

Veio sem manual, essa porra! Eu fico revirando a vida de ponta-cabeça pra ver se entendo seu funcionamento, mas ela parece um cubo mágico cheio de faces ocultas que escapam à compreensão e ultrapassam a minha capacidade de sentir as coisas. E os dias não param de acontecer! Na falta do guia de instruções, eu vou tentando encaixar as peças conforme tamanho e cor…querendo dar alguma utilidade ao meu raciocínio lógico: “Se eu  for por aqui, vai dar ali! Se eu tentar isso, vai dar naquilo e vou sair acolá”. Conjecturas balzaquianas? Sartrianas talvez! Preciso chegar, mas me faltam mapas, placas, setas indicativas! A vida é uma ilha que se desloca bem debaixo dos nossos pés! Quando ela se movimenta bruscamente, eu caio na água! Tchibum!! Se tem uma coisa que nunca me faltou foi coragem pra sobreviver! Então, me reviro de ponta-cabeça, entendo meu funcionamento e considero minhas opções: posso me afogar ranzinzando a falta da porra do manual ou bater pernas e nadar para alcançar alguma nova margem brevemente romanceada no tempo e no espaço dos dias que não param de acontecer.


Maíra Viana

A Rifa…

12 de março de 2012

Então, vou ter que rifar!! E tem esse jeito novo de se relacionar!! Ficar!! Tudo beira a superfície dos corpos!! Os orgãos internos? Estão todos mortos!! E cinco minutos de orgasmo valem mais que qualquer excelência em atenção!! As pessoas se permitem gozar das mais variadas formas, mas não se permitem se dar. As bancas de revista estampam a nudez em capas! Mas, espera! Tudo tem um preço! Quanto ela ganhou pra posar? E ele, quanto levou pra fotografar? Quanto custa cada exemplar??? Quanto de prazer você pode me dar? Você sabe dizer? Porque é apenas esse o seu valor! Então você deve saber!! Já que sabe, então deixa eu falar!! Estou rifando um amor inquieto! Quem dá mais? Quem dá mais? Ninguém dá! E me pergunto confusa: a quem interessa??. Alguém realmente tem tempo para reparar? E só o que me dizem é: ”agora não dá!”. Deixa pra lá!! Como chamar a atenção de alguém sem precisar rebolar? Nem se eu gritar! Não há! Não há nada que eu possa fazer além de rifar! Aliás, há! Ficar! Já que não tem outro jeito, porque não experimentar?! Algúem me empresta um batom vermelho enquanto eu viro o cabelo pro lado? Vou dar! Vou dar uma chance a esse jeito novo de se relacionar! Então, vem cá!! Me faz gozar! Agora, já! Já que do gesto não vem nada mesmo! Deixa o sêmen jorrar!! Quem sabe jorra também uma gota de afeto!!! Pra cá!! Já que do olhar não vem nada mesmo! Me come e depois pode cochilar!!! Pra lá! Quem sabe cochila também o meu amor inquieto!! Se não bastar, não vai colar! Ficar!! Esse jeito novo de se relacionar!! Vou ter que rifar!!


Maíra Viana

Muito prazer, Taciturna!

22 de fevereiro de 2012

Sorumbática felina. Macambúzia do olho manco. Iris estropiada. Acidente? Vai saber! Centenária carrranca peluda, ainda é dada a peralvilhices, como pode? Borralheira, circunspecta, belfuda. Não fomos apresentadas. Circulávamos por acolá. Eram muitos os ambientes da Casa.  Eles, músicos, tagarelices a mancheias. Felina à espreita: guaranga, tartarugosa. A cada passo meu, os quatro dela a me acompanhar. Eu buscando um tico de sinal para acessar a Interlândia. Ela, ploft, em meu All Star. Missivas eletrônicas deveras urgentes para encaminhar. Sai pra lá, bichana forróia. Músicos ali, orquestrando arrulhos para patuscas do dia seguinte. Eu, caminhante, cômodos da Casa afáveis, porém, desapropriados de qualquer acesso à conexão. Cyber-missivas  imprescindíveis à espera, adormecidas no desktop. Nb aponta, subo as escadas, encontro sinal. Plugo, recebo, envio, anexo, twitto. Eis que ela surge, pirata-badalhoca, retina-de-vidro, cambaleante. Cismou comigo. As piores figuras sempre exalam faguices à minha pessoa. Se apegam. Dou bola. Apresento-me diante de seu miado estridente. Algaravia. Diálogo pra lá de azucrinado. Como chamá-la? Ninguém me conta. Sou dada a invencionices. Nomeio-lhe. Taci. “Taci, pchim, pchim, pchim, vem cá, bichinha”. E Taci nada de me atender. “Pchim”? Será que é isso mesmo? Não está funcionando. Deixo pra lá! Intervalo no andar de baixo, desço pelo corrimão e lá estão eles. Músicos régulos, ansiosos por sanduíches, frutas, sucos: atendo. Ficam contentes-acordes. Em breve voltarão aos arranjos, às notas de rodapé de seus instrumentos. Taci me segue, ploft de novo, meu All Star branco! Taci, Taci, dá um tempo, estou trabalhando. Ela dá a pata, gesto que acata a troca: seu nome de batismo pelo apelido que lhe emprestei. Parece que fiz uma amiga. A gata de Nb agora é minha também. Bordalenga, achamboada, balabrega, capionga mas, Minha…é ela, aquela que naquela hora me estendeu a pata e se renominou: Taci, de Taciturna; melíflua-de-botas. Estás agora, aos emboléus, não só dentro da Casa, mas também fora dela…delirium tremens…incólume, em todos os meus contos-de-fadas.


Maíra Viana